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Com apoio da polícia, prefeitura de Itapetinga destrói barracos em terrenos invadidos

Reportagem: Eudo Mendes

 

O sol ainda estava nascendo quando uma retroescavadeira da Secretaria de Infraestrutura do município de Itapetinga, acompanhada por equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e Polícia Militar (PM), deslocou-se até o Bairro Recanto da Colina, mais precisamente ás margens da BA-263, nas proximidades da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

A operação aconteceu neste sábado (17) após um terreno particular ter sido invadido por um grupo de moradores. Aproximadamente 20 barracos já estavam construídos.  A pessoa responsável pelo terreno acompanhou o trabalho da retroescavadeira, destruindo os barracos erguidos pelos moradores durante a semana.

 

Por volta das 6h20, a mesma equipe seguiu em direção ao Bairro Quintas do Sul, pois ocorreu a invasão de um terreno, localizado ás margens da rodovia BA-263, pouco antes das torres de comunicação.  Lá, ainda não tinha barracos construídos, porém, o terreno estava sendo preparado para isso. Durante a semana, moradores dos bairros Américo Nogueira, Primavera e Quintas do Sul, trabalharam na roçagem, capina e demarcação do espaço. 

 

Como não havia barracos construídos, os moradores foram orientados pelo capitão da Polícia Militar (Davi) e também pelo comandante da GCM (Weltimo) para não erguerem construções ali. Existem informações não oficiais que a área pertence à prefeitura, inclusive, será construído uma praça, creche ou posto de saúde no local. No entanto, até o momento de conclusão desta matéria, nenhum documento foi apresentado.

 

As pessoas ouvidas pela reportagem disseram que invadiram o terreno porque não encontraram outra saída, estão em uma situação financeira muito difícil, e não recebem ajuda da prefeitura.
“Que eles (prefeito e vereadores) compareçam aqui para conversar com nós, porque só ficam mandando a polícia vim aqui para conversar”, disse Fábio Ribeiro. “Aqui não tem posto de saúde, não tem agente de saúde, não tem nada”, acrescentou o morador do bairro.

 

Dona Elyana, uma moradora simpática e educada, que fez questão de expor a situação a qual se encontra, disse que além dos filhos, cria também os netos. Desempregada, o Bolsa Família não é suficiente para pagar todas as despesas.
“Aqui tem muitos pais de família que estão na mesma situação que a minha. Queremos ao menos um lugar onde colocar os nossos filhos para sobreviver”, disse a moradora do Primavera.

Jucimara Alves, 37 anos, informou que foi colocada para fora de casa com os 4 filhos, porque não tinha dinheiro para pagar o aluguel. Quando questionada se estava recebendo apoio da Secretária de Assistência Social do município, a mãe respondeu: “fui lá, procurei, procurei até cansei as minhas pernas… depois deixei quieto”. Enquanto dava entrevista, a mulher segurava no colo uma criança de 9 meses, que precisa de uma cirurgia urgente, pois nasceu com o pezinho torto. Ela também segurou (quase durante toda entrevista) as lágrimas que desceram sobre o resto depois da gravação.

Aproximadamente 50 famílias se apropriaram do terreno, entre elas, pessoas em vulnerabilidade social, porém, nenhum agente da Secretaria de Assistência Social acompanhou a operação, a fim de identificar as famílias que deveriam ser visitadas e assistidas por um assistente social.

Esbulho possessório é crime tipificado no artigo 161 do Código Penal. Necessariamente, não precisa de ordem judicial para reintegração de posse  ou até mesmo prisão dos acusados, já que as pessoas estão em flagrante. Porém, neste caso, ainda não existe queixa crime por causa das invasões dos terrenos.

A respeito das pessoas que estão em vulnerabilidade social, o IREPÓRTER solicitou um posicionamento da prefeitura, que deverá acontecer nas próximas horas.


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