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iRepórter relembra caso de grande repercussão solucionado com atuação de Gilmar Leal

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O investigador da Polícia Civil, Gilmar Santos Leal, 51 anos, foi encontrado sem vida dentro do apartamento da família, em Salvador, no último sábado (14).

A dor se espalhou rápido, atravessando corredores de delegacias, grupos de mensagens e memórias guardadas ao longo de décadas de serviço público. O homem que dedicou a vida a desvendar crimes e devolver respostas à sociedade partia deixando perguntas e um vazio difícil de medir.

A trajetória de Gilmar na segurança pública começou na Polícia Militar. Anos depois, em agosto de 2004, ele ingressou na Polícia Civil do Estado da Bahia. Foi inicialmente nomeado para a delegacia de Caatiba, mas foi em Itapetinga que construiu o capítulo mais marcante de sua carreira. Ali, entre plantões longos e investigações delicadas, consolidou a reputação de investigador atento, persistente e silenciosamente obstinado.

Nos últimos anos, atuava na 7ª Coorpin, em Ilhéus, no Núcleo de Homicídios e Proteção à Pessoa. Estava afastado para tratamento contra um câncer — batalha travada longe dos holofotes, com a mesma discrição que sempre pautou sua vida profissional.

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc) manifestou pesar em nota oficial. A entidade destacou o profissionalismo, a ética e a coragem do investigador, ressaltando que Gilmar construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a segurança pública e pelo respeito entre colegas.

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Uma noite que jamais seria esquecida

Era quarta-feira, 26 de maio de 2016. O plantão na delegacia de Itapetinga transcorria sem grandes ocorrências. O início da noite, no entanto, trouxe uma informação que mudaria completamente o rumo daquele turno: um bebê havia sido morto dentro de uma casa em uma fazenda na região do “Cavalo Preto”, sentido Potiraguá.

Quando as viaturas deixaram o asfalto, a noite já havia engolido a paisagem da estradinha de terra estreita. Depois de alguns minutos, uma luz isolada rompeu a escuridão da propriedade rural. Em volta da casa, moradores e trabalhadores aguardavam, inquietos.

Dentro do imóvel, sob a lâmpada acesa, o cenário era perturbador. Sobre o berço, o corpo de um bebê de apenas um mês e oito dias. Estava limpo, vestido com cuidado, como se alguém tivesse tentado apagar qualquer vestígio do horror. Mas havia algo que não se encaixava: um curativo improvisado no peito esquerdo. Ao ser parcialmente retirado, revelou-se o ferimento de faca.

A casa estava limpa. Nenhum sinal de luta. Nenhuma marca de arrombamento.

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Foto: arquivo-iRepórter

Enquanto o Departamento de Polícia Técnica realizava os procedimentos no interior da residência, o investigado Gilmar Leal já estava do lado de fora, conversando com vizinhos, ouvindo versões, conectando detalhes aparentemente soltos. Em poucos minutos, havia estruturado uma linha de investigação.

Nos fundos da casa, a resposta começava a surgir: uma faca do tipo peixeira, ainda com manchas de sangue. Uma fralda manchada de sangue também foi encontrada.

Foto: iRepórter

O pai afirmou que estava trabalhando no momento do crime. A mãe declarou que alguém teria invadido a casa e que estava na residência da vizinha quando o crime ocorreu. Mas para Gilmar e demais agentes, algo não fechava.

Experiente, ele sabia que a cena sussurrava encenação.

Antes mesmo de prestar depoimento formal ao delegado plantonista, José Robson Oliveira Santos, a mãe confessou. Disse que sentia ciúmes da atenção que o bebê recebia do marido e dos familiares. Levou a criança ao banheiro, desferiu a facada, limpou o corpo e tentou fechar o ferimento com fita adesiva.

Assista a reportagem da TV Sudoeste sobre o ocorrido

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O silêncio que se seguiu à confissão foi pesado

A investigação foi concluída, e a verdade veio à tona graças ao olhar atento e à persistência da equipe policial de plantão daquela noite, principalmente, do investigador Gilmar. Era mais um caso doloroso em uma carreira marcada por ocorrências difíceis, mas enfrentadas com firmeza.

Hoje, colegas recordam não apenas o investigador que solucionava crimes, mas o homem de postura discreta, dedicado e comprometido com a missão que escolheu cumprir.

Gilmar Santos Leal deixa um legado na história da segurança pública do médio sudoeste baiano, não apenas pelos casos esclarecidos, mas pela ética que guiou cada passo de sua trajetória.

“Profissional dedicado, comprometido com a segurança pública e com a defesa da sociedade baiana, Gilmar Santos Leal construiu sua trajetória pautada pela ética e coragem, deixando um legado de respeito e admiração entre colegas e amigos”, lembrou o Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc).

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