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Bahia reúne 180 mulheres na Fonte Nova em ação contra a violência
Após o apito final na vitória do Bahia por 3 a 2 contra o Internacional, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova foi palco de uma cena marcante. Cerca de 180 mulheres permaneceram reunidas em um setor das arquibancadas para chamar a atenção sobre uma dura realidade: para muitas brasileiras, o estádio se torna um ambiente mais seguro do que a própria casa em dias de partida.

A ação do Esporte Clube Bahia buscou conscientizar torcedores e a sociedade para um fenômeno alarmante validado por dados estatísticos. De acordo com a segunda edição do estudo Futebol e Violência contra a Mulher, publicado em agosto pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com dados coletados entre 2023 e 2025 em cinco capitais brasileiras (Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre), os casos de lesão corporal por violência doméstica sobem 28,8% em dias de jogo. As ameaças também registram alta expressiva de 27,4%.
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O novo levantamento indicou uma piora em comparação com a primeira edição da pesquisa (com dados de 2015 a 2018), quando os aumentos haviam sido de 23,7% para ameaças e 20,8% para agressões físicas. Atualmente, os casos de violência física superaram as ameaças verbais.
“O futebol não gera violência doméstica. Mas catalisa para quem já vive em situação de grande vulnerabilidade”, pontuou Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao Globo Esporte.
Entre jovens de 15 a 29 anos, o cenário é ainda mais grave: o aumento de notificações de ameaça e lesão corporal chega a 44% em dias de partida. Considerando especificamente os episódios dentro de casa, os registros de lesão aumentam 35,1% e os de ameaça, 26,8%.
Recorte racial e picos nos fins de semana
A pesquisa aponta diferenças no impacto da violência ao analisar os dados sob um recorte de raça:
- Mulheres brancas: os registros de lesão corporal sobem 30,9% e os de agressão 36,2% em dias de jogo.
- Mulheres negras: as denúncias de lesão crescem 23,2% e as de agressão 14,6%.
Segundo a coordenação do Fórum, a hipótese para a discrepância envolve fatores de socialização e a naturalização do ciclo de violência no ambiente doméstico vivida por mulheres negras.
Em termos de cronograma, os picos de ameaças acontecem principalmente às segundas-feiras, domingos e sextas-feiras. Já as lesões corporais têm maior incidência nos domingos e sábados.
Caminhos para o enfrentamento no esporte
Diante do diagnóstico, o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elencou dez recomendações fundamentais para clubes, federações e autoridades:
- Denúncia nos estádios: implementação de postos permanentes de acolhimento e registro de ocorrências em todos os setores dos estádios.
- Atuação articulada: ações conjuntas e contínuas entre poder público, clubes, federações e torcidas organizadas sobre violência de gênero.
- Monitoramento constante: atenção especial à reincidência das denúncias e ao cumprimento rigoroso de medidas protetivas de urgência.
- Educação e masculinidades: criação de programas de médio e longo prazo voltados à desconstrução de padrões de dominação de gênero.
- Prevenção quanto a álcool e apostas: adoção de estratégias para conter o consumo abusivo de bebidas alcoólicas e o impacto das apostas esportivas (bets) como gatilhos de violência.
- Cultura torcedora inclusiva: promoção de políticas culturais de acolhimento e valorização das torcedoras.
- Desenvolvimento socioemocional: parcerias voltadas à formação emocional e social de jovens torcedores.
- Formação de atletas: programas contínuos de responsabilidade social e prevenção da violência na base e no profissional.
- Protocolos internos rígidos: criação de diretrizes nos clubes para apuração, responsabilização e acompanhamento de casos envolvendo atletas e funcionários.
- Responsabilização nas torcidas: capacitação continuada de lideranças de torcidas e afastamento de membros condenados por violência contra a mulher.
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Fonte: iBahia
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