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Espetáculo inédito resgata a trajetória de Nilda Spencer
Ela sonhava com Hollywood, mas transformou a Bahia em seu grande palco. Foi assim que Nilda Spencer construiu uma das trajetórias mais importantes do teatro baiano, rompendo barreiras impostas às mulheres nos anos 1950 e ajudando a consolidar a profissionalização das artes cênicas no estado. Essa história inspira o espetáculo inédito Nilda: Uma Mulher Retada, que estreia nesta sexta-feira, 8, às 19h, no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador, reunindo música, teatro e memória para revisitar a vida da atriz, diretora e professora.
Os ingressos custam entre R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira) e podem ser obtidos na Sympla.
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Interpretada por Andrea Elia e dirigida por Marcio Meirelles, a montagem acompanha diferentes fases da vida de Nilda, desde a juventude, quando alimentava o sonho de ser uma estrela de Hollywood, até sua consagração como um dos principais nomes do teatro baiano. Ao longo da narrativa, o público percorre transformações culturais e políticas vividas pela Bahia, que vão desde as décadas marcadas pela efervescência artística aos anos de chumbo da ditadura militar.
Além de Andrea Elia, que interpreta Nilda Spencer, a montagem reúne um elenco formado por Bárbara Borgga, Igor Epifânio, Caio Rodrigo, Lucas Valadares, Cristiane Mendonça, Fernando Alves, Alexandre Guimarães, Arlete Dias, Aline Nepomuceno, Marcelo Flores, Renata Dias, Rita Assemany, Sulivã Bispo e Felipe de Assis.
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Atriz interpretando atriz

Em cena, os atores se revezam na interpretação de personagens que marcaram a trajetória da homenageada e ajudam a reconstruir diferentes momentos da história do teatro baiano.
Mais do que uma biografia encenada, o espetáculo utiliza a trajetória de Nilda para contar também a história de uma geração que transformou o fazer teatral na Bahia.
Para Marcio Meirelles, a dramaturgia escrita por Marcos Uzel privilegia a essência da personagem sem recorrer à simples reprodução da figura histórica.
“Nilda foi um marco da liberação feminina, uma mulher consciente do seu lugar no mundo, da sua responsabilidade diante das coisas, sem fraquejar, mas sempre muito diplomática”, resume Márcio.
Essa opção também orientou a construção da protagonista. Em vez da imitação, Andrea Elia buscou identificar afinidades entre sua própria trajetória e a da homenageada. Atriz há mais de três décadas, ela afirma enxergar em Nilda um espelho da persistência de quem escolheu permanecer fazendo teatro na Bahia.
“Sou uma atriz interpretando outra atriz. Nilda dizia sim ao teatro e dizia sim à vida”, afirma Andrea.
Para ela, a personagem representa mulheres que conseguiram conciliar a vida familiar com a realização profissional em uma época marcada pelo conservadorismo.
A montagem também se diferencia pela linguagem. Definido por Marcio Meirelles como um “musical de câmara”, o espetáculo aposta em recursos cênicos que formam movimentos e projeções audiovisuais para situar o contexto histórico vivido por Nilda.
A música marca a passagem do tempo, enquanto vídeos ampliam os acontecimentos que cercam cada momento retratado no palco.
Ao sair do teatro

Outro destaque é a incorporação da Língua Brasileira de Sinais (Libras) à dramaturgia. Em vez de funcionar apenas como tradução simultânea, ela integra a própria encenação, tornando a peça bilíngue e ampliando as possibilidades de comunicação entre artistas e público.
“A linguagem de Libras não é uma legenda. Ela faz parte da peça, como acontece na vida real”, explica o diretor.
Ao acompanhar a trajetória de Nilda Spencer, o espetáculo também resgata uma Salvador em transformação, marcada pela boemia, pela efervescência cultural e pela busca constante por liberdade. Para Andrea Elia, esse talvez seja o principal legado da personagem.
“Ao saírem do teatro, as pessoas sentirão vontade de viver mais, viver suas próprias vidas com mais intensidade”, projeta a atriz.
Sobre Nilda
Nilda Spencer (1928 – 2013) foi uma das figuras mais importantes da história do teatro baiano.
Atriz, diretora, professora e gestora cultural, participou ativamente da profissionalização das artes cênicas na Bahia a partir da década de 1950. Primeira mulher a dirigir a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), também atuou no cinema, transitando entre produções experimentais e comerciais.
Reconhecida por romper padrões conservadores de sua época, conciliou a carreira artística com a vida familiar e tornou-se símbolo de liberdade feminina e da transformação cultural vivida pelo estado ao longo da segunda metade do século XX.
Sua trajetória, marcada pelo compromisso com a arte e pela formação de novas gerações de artistas, consolidou seu lugar como a grande “Dama do Teatro baiano”.
‘Nilda: Uma Mulher Retada’ / Dias 08, 09, 14, 15, 16, 21, 22, 23, 28 e 29 de agosto, sempre às 19h / Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves, s/n – Centro) / R$ 60 e R$ 30 / Vendas: Sympla / Classificação indicativa: livre
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
Fonte: A tarde
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