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Mesmo caro no campo, feijão pode chegar a R$ 12 nos supermercados em 2027

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O consumidor brasileiro deve se preparar para novos aumentos no prato principal da cesta básica. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), o quilograma do feijão-carioca pode alcançar a marca de R$ 12 no varejo até fevereiro de 2027 — um patamar recorde impulsionado pela combinação de estoques baixos, redução na área de plantio e incertezas climáticas.

A disparada nos preços já é visível na origem. Negociações no campo ultrapassam R$ 310 por saca, com reajustes frequentes. Contudo, ao contrário do comportamento habitual do mercado, o encerramento da colheita da terceira safra não trouxe alívio. Como as cotações já partiram de níveis altos, os produtores optaram por comercializar a produção rapidamente para evitar custos e riscos de armazenagem, deixando o mercado sem reservas para a virada do ano.

A concorrência com a soja

Apesar do forte estímulo financeiro, a área destinada ao cultivo da leguminosa não cresceu. No Paraná, um dos maiores produtores nacionais, a estimativa para a primeira safra é de apenas 90 mil hectares — a menor marca desde a temporada 2015/16.

A explicação para essa retração está na atratividade e na segurança oferecidas por culturas concorrentes, especialmente a soja. Enquanto o feijão exige alto risco operacional e sofre com oscilações do mercado interno, a soja conta com demanda internacional garantida, contratos futuros bem estabelecidos e maior resistência às intempéries.

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“A decisão do produtor leva em conta não só o preço da safra, mas a previsibilidade de colheita. A soja tem empresas internacionais por trás que garantem a compra, tem demanda externa e muito mais liquidez”, explica Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe.

Clima e poucas alternativas de substituição

Para agravar o quadro, as previsões para o ciclo 2026/27 indicam a atuação de um fenômeno El Niño forte, capaz de provocar chuvas excessivas no Sul e seca irregular em outras regiões produtoras. Com o crédito para seguro agrícola mais restrito, o risco produtivo recai integralmente sobre o agricultor.

Nas gôndolas, o consumidor terá dificuldades para encontrar alternativas mais em conta. A oferta do feijão-caupi segue ajustada e o feijão-preto já depende de importações da Argentina para suprir a demanda nacional. Caso o cenário se confirme, o alívio nos preços só deve ocorrer a partir de maio de 2027, com o ingresso da segunda safra no mercado.

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